Querida Jade, as vezes tenho a impressão que com o passar do anos, ao invés de encurtarem ou se tornarem corriqueiros eles se delongam e custam a passar. A finalização da roda e as apresentações dos príncipes ainda parece muito distante. Aguardo ansioso minha viagem à Terra Prometida no próximo ciclo. Alberto diz estar animado com a viagem, mesmo sem saber se vai ou não e por isto me olha como um cachorro pedinte para que eu avalie sua dedicação durante este ano. Fico pensando nestas minhas mãos enrugadas e como eu amava caminhar pelos Jardins da cidade nos anos que.... é melhor parar por aqui, reminiscências me trazem dor pelos que já partiram. Conto-te então a história do que te persegue.
Estávamos todos ansiosos para a apresentação da banda, mas era necessário comprar ingressos. Fico espantado como as pessoas vendem ingressos no restaurante do ICHS. Eram duas filas, uma para comer, a que eu entrei, e a outra para comprar o ingresso. Andava normal e falava normal, mas via a realidade como um bêbado. Soube no mesmo momento que estava na Onirion. É engraçado quando se está lá e se percebe dentro. O mundo muda. Olhei para as minhas mãos que não pareciam corrompidas pela idade e sim jovens além de estranhamente brancas. Entrei na primeira porta a direita, já que na Onirion a primeira coisa a se fazer quando se vai a algum lugar é virar na primeira a direita. Andei pelas vielas, e cheguei até uma casa, ela estava bagunçada e não havia lâmpadas, apenas a luz do sol, que entrava pelas janelas. Alguns móveis velhos estavam empilhados. Perto de mim alguns camelos passavam. Eu continuei explorando quando ouvi um barulho. Inicialmente pensei que eram ratos, mas logo percebi que se tratava de um humano, careca, pintado com tintas metalizadas douradas e roxas. Ele estava no fundo do cômodo, se concentrando e olhando para o infinito acima. Eu me lembrava vagamente daquilo, entendia o que ele estava fazendo e limites estavam sendo cruzados e sempre que alguns limites são cruzados os resultados nunca foram benéficos à humanidade. Um jarro de barro, que eu sabia ser um Bah, recebeu um smartphone, um HD externo e foi fechado. O homem então passa uma adaga ritual na mão e com seu sangue sela o Bah.
Agora respirando mais calmamente, antes que a cicatriz se formasse recolhi a adaga ritual e o papiro cheio de hieróglifos. O que eu vi no espelho, porém me desconcertou. A pessoa refletida não era eu. Porém não era hora de eu entender isto. No corpo estandido ao lado a morte tomava conta e nos braços e pernas bandagens de múmia apareciam. a gaze se enrolava mas recebia resistência da vida da palmeira que eu havia canalizado para o corpo do homem. Do lado de fora a palmeira seca era só uma sombra de seus dias de glória. Saí correndo. atrás de mim o homem acordava descobrindo que estava vivo e percebia que o ritual que ele fez estará em finalização pelo resto de sua existência. O poder alcançado sob um custo tão alto nunca estaria acessível para si. Em vão, ele procurava quem havia feito aquilo pois só a partir do momento que a fonte canalizadora de energia vital dele secasse ele estaria livre para morrer e se tornar a múmia que tanto sacrificou para ser. Abriu o Bah, pegou sua existência terrena, encerrada em aparelhos eletrônicos banais. E saiu em perseguição. Porém ele não vinha atrás de mim. Ele está perseguindo você.
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