"um dia discursa outro dia" já escrevia o poeta "e a noite, conhecimento" então que tal ? num sei, perdi a imaginação
terça-feira, 8 de maio de 2012
Flechas pelo corpo
Larissa, não sei nem por onde começar a história daquele que eventualmente se apaixonou por São Sebastião, que olhava, com rosto meigo sem demonstrar a dor causada pelas flechas que o trespassavam. Mas já me perco novamente.
Ele era velho e portava uma beleza que só antes havia visto em duas pessoas, também velhas, e uma era o amor da minha vida. Gostava de yoga mas o que fazia mesmo era pintar, dizem que grafitava, o que me dava medo já que você sabe o que dizem dos que grafitam. Entendo que a juventude esteja perdida, mas o fascínio que São Sebastião exercia, ultrapassava em muito o frio que já voltou pra assolar esta cidade. O frio sempre me tráz vontade de escrever para os meus amigos e mesmo que as cartas de volta aparentemente não cheguem eu lembro que a culpa era de quem vendia as fichas no caixa, ou dos lobisomem que voltaram a aparecer aqui. Deve ser o frio. E enquanto bebíamos o caldo de mandioca eu percebi o que diferenciava os três: os olhos. O do Primeiro e único, que fez minha vida cair e me deixou em dúvidas eram verdes. O do Segundo, que me fez humilhar e recebeu o troco eram azuis. O do Terceiro, que me fez correr e morrer de medo da rejeição, eram castanhos. Agora fico ansioso para encontrar o Quarto, que atualmente faz sofrer quem nele dorme devido a uma corrente de ar que passa por cima da porta e que antes a fazia ranger.
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Cada dia que passa os sonhos se tornam mais e mais realidade.
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