sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A noiva

Gilberto, o tempo está chegando e não pude ir a sua despedida, envio-te esta carta então:
Do lado de fora chove, na verdade chovia até o você chegar.Os dias que chovem abril, me apavoram, destroem com minha coragem que já se foi. Mas enquanto chovia, aqui dentro me fazia frio e ás águas do batismo não eram suficientes para me lavar. Quero sair, gritar, mas não dá mais! A chuva já passou. Chovia e uma noiva passeava pela minha casa, ela rodopiava pelos cômodos procurando por algo e não achava o que a poderia satisfazer. Continuou rodopiando e achou o telefone. Ela parou e olhou para ele, tava com medo de pegar nele, afinal, já tinha ouvido várias histórias com noivas que morreram com o telefone na mão. Tempestades são assim. Ela tomou coragem e discou o número que eu queria saber, mas parecia que o outro lado não a ouvia, não conseguia se comunicar com ela ou apenas não queria falar. Ela pára, braveja aquele som que vem do inferno "reeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeen" e eu me assusto. E então ela me faz sinal de silêncio, rodopia pela sala até ficar tonta e volta para a sua amada cama que tão aconchegante está hoje. Esta lhe pede que se esparrame sobre ela, se entregue e daqui do meu quarto não ouço nem risos e nem lamentações. Morfeu a levou para algum lugar onde eu não consigo ouvir nem o grito das crianças ensandecidas da rua deserta e imaculada.