Marco Antônio, vou discorrer a respeito dos eventos da última semana. Apesar de todos esperarmos, a repercussão, algumas coisas simplesmente passaram dos limites.
Dia -XXX
No DCE da UFV estava uma folha colada, convidando para um evento, em azul, branco e vermelho. algumas pessoas viam o que estava escrito mas a grande maioria via apenas os desenhos. Eu, assim como vc, após várias doses de vodca e concentração conseguimos ler a chamada de trabalhos para a XVI Reunião Trienal de Sistemas de Magia.
Dia -III
Apesar de muitos não saberem o que iria acontecer a cidade esperava, mas algo estranho havia no ar.
DIA I - Segunda Feira Local: PVB- UFV Sistema: Infernalistas
Era sete e trinta da manhã e o sol ainda não havia dado as caras, o dia parecia estranhamente nublado, pesado. Era sentido por todos uma estranha sensação de liberdade, um anseio por gritar. No PVB diversos estudantes iam para suas aulas e estavam assustados com as pessoas diferentes que por ali passavam. Poucos trajavam preto. Ao redor da entrada vários símbolos serviam para demarcar entradas e localizações. Eram 8:25 e várias pessoas saíram do auditório, apesar de tudo era um rebuliço controlado. Era como se eles estivessem, na verdade, dançando. Até que de repente, pararam. Um carro preto parou em frente à escada que dá acesso ao prédio e de lá saíram três pessoas, uma delas me fez acreditar que era eu. O do meio então levantou a mão esquerda, fechou-a e desceu como se desse uma cotovelada. Um silêncio quase palpável ocorreu. Os estudantes em polvorosa gravavam em seus celulares e dispunham o material na internet. Podia perceber nesta hora que algumas pessoas com uma das mãos fechadas, e com os braços retesados contra seu tronco, chegavam e eram muito bem recebidas, elas, impassíveis olhavam para o topo da escada, como se esperassem alguém. O sol começou a aparecer. Então começou a invocação a Aieio (aê-ei-ô).
A música começou a ressoar e a vontade de gritar era cada vez mais forte. Os participantes passaram a dançar o axé que invocava O Anfitrião daquele encontro. O Sol apareceu. Forte, Belo e a sensação do Verão, Carnaval, mar, música invadiu a cidade. Ao fim da música um garoto, moreno de óculos escuros e sem camisa chegou se dirigiu ao topo da escada e foi aplaudido. Antes de entrar no auditório foi cumprimentado pelas pessoas de mão retesada em seguida, entrou no auditório. As pessoas que participavam do evento entraram, seguidas das pessoas de mãoes retesadas e a porta estava sendo fechada quando alguém impediu o seu fechar. Três garotas gêmeas loiras, de aproximadamente 16 anos estavam vindo, atrasadas. Elas faziam os mesmos movimentos para andar e gesticular, como se fossem um. Eu então vi que uma delas estava com o dedo sujo de sangue e eu, respeitosamente, disse: oi, vc está com o dedo sujo. A outra olhou para o dedo da primeira que levou o mesmo em direção da boca da terceira, que o chupou extraindo a marca de sangue antes existente. A primeira então me estendeu a mão e em uníssono me perguntaram: qual seu nome? Eu respondi: "Meu nome é PEP". Elas então sorriram e disseram novamente em uníssono: "Meu nome é Legião, porque somos muitos!"